Meskambilhices

Segunda-feira, Junho 05, 2006

Vergonha de ser Honesto

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto..."

Pessoas que se deixam levar pela opinião da maioria, facilmente se enredam na desonestidade com a justificativa de que "toda a gente faz".
Este é um lamentável equívoco, fácil de perceber com algumas reflexões.
Considere, ainda, que você chegou ao mundo só, e só retornará, quando chegar a sua hora.
Você, e somente você, responderá por suas acções, ninguém mais.
Mesmo que "toda a gente faça", cada um será responsabilizado, individualmente, diante da própria consciência.
Dessa forma, não permita que essa onda de desonestidade e corrupção, que assola grande parte da população, arraste você também para o lodaçal.
Lembre-se de que diante da sua consciência você estará sempre só, sem testemunha de defesa, a não ser seus actos nobres.
Não vale a pena abrir mão do único património que realmente lhe pertence, que é a honradez, por algum dinheiro ou benefício escuso, que terá que deixar na aduana do túmulo.
A dignidade é o património mais valioso que alguém pode ter. Não o desperdice com coisas efémeras que pertencem à terra.
E o que é mais interessante, é que até as pessoas desonestas preferem contar com pessoas dignas, em quem possam confiar... Estranho paradoxo!
Por mais que se diga que a desonestidade está em alta, temos visto verdadeiros impérios desabando por causa da falta de ética.
Temos visto empresas e instituições de prestígio, bancos sólidos, vindo abaixo por forjar resultados, fraudar documentos, enganar, extorquir...
Empresas que não trabalham com transparência estão perdendo seus investidores, que preferem apostar numa relação de confiança.
Pode-se perceber que no meio económico a confiança ainda é o capital que mais atrai e multiplica o dinheiro.
Ninguém, em sã consciência, investe em instituições ou empresas nas quais não confia.
E é importante lembrar que as empresas são dirigidas por pessoas. E são as pessoas que dão fiabilidade ou não aos negócios.
Portanto, é sempre o indivíduo o portador dos valores morais capazes de gerar confiança, a única base capaz de sustentar tanto os negócios quanto as amizades.
Sem dúvida essas reflexões são oportunas e devem nos fazer pensar a respeito.
Afinal, se a desonestidade se tornar regra geral de conduta, o que será da nossa sociedade?
Portanto, vergonha de ser honesto: jamais!
Pense nisso, e não contribua para turvar o lago da esperança com os detritos da desonestidade.

Sexta-feira, Junho 02, 2006

"A maior glória não é ficar de pé, mas levantar-se cada vez que se cai."


O Poço e a Pedra

Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes.
Assustado com aquele aparecimento inesperado, o monge parou e perguntou se podia fazer algo por ele.
O homem baixou os olhos e murmurou envergonhado: "sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afecto dos meus pais e dos meus amigos. Como quem afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro e não sinto sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então deste sofrimento, desta angústia!" – pediu ajoelhando-se.
O monge, que ouviu tudo em silêncio, fitou os olhos daquele homem e alguns instantes depois disse: "estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?"
Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o jovem respondeu: "sim, há um poço logo ali, porém nele não há roldana, nem balde. Tenho aqui, no entanto, uma corda que posso amarrar na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar água até se saciar. Quando estiver satisfeito, avise-me que eu o puxarei para cima."
O monge sorrindo aceitou a ideia e logo em seguida encontrava-se dentro do poço.
Pouco depois, veio a voz do monge: "pode puxar!"
O homem deu um puxão na corda empregando grande força, mas nada do monge subir.
Era estranho, pois parecia que a corda estava mais pesada agora do que no início.
Depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda, observou a semi-escuridão do interior do poço para ver o que se passava lá no fundo.
Qual não foi a sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral.
Por um momento ficou mudo de espanto, para logo em seguida gritar zangado: "hei, que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira boba! Está escurecendo, logo será noite. Vamos, largue essa rocha para que eu possa içá-lo."
De lá de dentro o monge pediu calma ao rapaz, explicando:
"És grande e forte, mas mesmo com toda a tua força não me consegues puxar se eu ficar assim agarrado a esta pedra. É exactamente isso que está acontecendo contigo. Consideras-te um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afecto de ninguém. Encontras-te firmemente agarrado a essas ideias. Mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para te reerguer, não vai adiantar nada."
"Tudo depende de ti. Somente tu podes decidir se vais continuar agarrado ou se te vais soltar. Se queres realmente mudar, é necessário que te desprendas dessas ideias negativas que te vêm mantendo no fundo do poço."
"Desprende-te e liberta-te"
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A escuridão nada mais é do que a falta de luz, assim como o mal é a ausência do bem. Quando pensamentos negativos turvarem nossos pensamentos, ocultando nossos melhores sentimentos, procuremos a luz da verdade e o caminho do bem.
Abandonemos as pedras da ignorância e do medo que nos mantêm prisioneiros de nossas próprias imperfeições, nos poços do egoísmo e do orgulho.

Caros amigos,

Há determinados momentos da vida em que devemos parar um pouco e reflectir, não só nos acontecimentos em que estivemos directamente envolvidos, mas também em tudo o que acontece à nossa volta. E este parece-me ser o momento certo para o fazer.

Todos os seres humanos nascem com a capacidade, mais ou menos desenvolvida, de memorizar informação, podendo mais tarde recordá-la. No entanto o tempo é o maior inimigo das recordações, pois faz com que estas se apaguem ou se tornem tão ténues, até ao ponto de inviabilizar que sejam relembradas. É por este motivo, que devemos procurar aproveitar ao máximo as relações interpessoais que vivemos no presente.

Mais tarde ou mais cedo, e dependendo das fases da vida de cada indivíduo, vamos adaptar-nos a novas realidades, porque somos obrigados a fazê-lo, sob pena de sermos excluídos socialmente.

Lentamente, vamos esquecendo os colegas do Liceu, os amigos que conhecemos no nosso primeiro emprego e muitos outros, que já não conseguimos reconhecer ou que não nos lembramos sequer de ter conhecido um dia. Não nos lembramos porque, além da capacidade de memória encerrar em si limitações, o tempo nos obrigou a esquecer.

As dificuldades parecem aproximar-se a passos largos e inevitavelmente iremos tomar consciência de que entrámos numa nova fase das nossas vidas, que implicará sacrifícios que só poderão ser suportados, e acima de tudo ultrapassados, por cada um de nós.
Nos primeiros instantes, o esforço para estar com as pessoas com quem costumávamos conviver diariamente, fará sentir-se intensamente. Mas será apenas uma sensação e uma vontade momentâneas.

Assim sendo, procuro recordar-vos todos os dias e desfrutar dos momentos em que tenho o privilégio de conviver com cada um de vós. Sabem que não é fácil para mim, expressar os meu sentimentos pois desprezo ou esforço-me por alienar o meu “eu” mais emotivo. O meu “eu” cheio de subjectividade, cheio de crenças e mitos, com superstições, às quais recorro frequentemente para ultrapassar os obstáculos que a vida me coloca quotidianamente.

Hoje apeteceu-me recordar-vos desta forma, escrevendo, registando em palavras as minhas lembranças.

É bom conhecer-vos, é bom conviver com cada um de vocês, mesmo quando existem divergências, tão frequentes e normais no convívio, entre amigos e colegas.

Amanhã podemos não estar juntos, por esse motivo não vamos esperar por datas ou ocasiões especiais para recordar os nossos amigos.

Recorda as pessoas com quem convives diariamente, porque quando não estiverem ali vai ser muito difícil fazê-lo.